segunda-feira, 17 de novembro de 2008

'Já és meu.
Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalho, devem dormir agora.
Gira a noite sobre suas invisíveis rodas
e junto a mim és puro como âmbar dormido
Nenhum mais, amor, dormira com meus sonhos
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhum viajará pela sombra comigo, só tu.
sempre vivo... sempre sol... sempre lua...
Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo
teus olhos se fecharam como
duas asas cinzas, enquanto eu sigo a água
que levas e me leva.
A noite... o mundo... o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho.'
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[Pablo Neruda]

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