quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Assim, sob esta tempestuosa vida quero mais uma vez mobilizar o seu espírito na certeza de que possuímos a necessária afinidade para nos reconhecer dignos de acreditar num amanhã melhor.
Temos o dever de não fazer nada que não sejamos capazes de entender e sem relutar, estudar tudo que em nós pode ser melhorado, aprendendo o que for necessário saber para sermos felizes. Vamos celebrar os nossos passos sem recuar ante as dificuldades! Sem obstáculos a vida não nos ensinaria nada proveitoso!
Estejamos então, afinados com a nossa razão de ser. Assim, com todas as credenciais que Deus nos permitiu desenvolver é que desejamos por pura afinidade e amor a vida.
Que não nos esqueçamos de agradecer por tudo que conquistamos!
Que renovados então para um novo amanhecer em 2009, nos encontremos despidos de egoísmos e de descrenças. Que nossas convicções estejam afinadas com a verdadeira paz franciscana. Que o ar seja só de amor e que a solidariedade não repouse apenas nas nossas palavras. Que tenhamos afinidade com o Deus que conseguimos reconhecer, para que na medida certa, sejamos instrumentos de uma só paz.

Vamos globalizar nossas virtudes em prol do bem maior que possuímos: A Vida!
E reconhecer que sem o outro nada somos!
Um excelente ano de 2009!

- Jéssica C. Leal

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Acredite nas pessoas. Esqueça sua origem, sua cor, seus bens, sua casa, suas roupas. Olhem alem. Acredite naquelas que possuem algo mais. Aquelas que, às vezes, a gente confunde com anjos e outras divindades. Digo daquelas pessoas que existem em nossas vidas e enchem nosso espaço com pequenas alegrias e grandes atitudes. Falo daquelas que te olham nos olhos quando precisam ser verdadeiras, tecendo elogios, que pedem desculpas com a simplicidade de uma criança. Pessoas firmes. Verdadeiras, transparentes, amigas, ingénuas. Que com um sorriso, um beijos, um abraço, uma palavra te faz feliz. Aquelas que erram, acertam, não tem vergonha de dizer "não sei", aquelas que sonham, aquelas amigas, aquelas que passam pela vida deixando sua marca, saudades, aquelas que fazem à diferença. Perto disso nada mas interessa, apenas acredite. muito mais nas pessoas que apenas um brilho nos olhos, sábio é o que consegue desvenda-los.

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'Podemos acreditar que tudo que a vida nos oferecerá no futuro é repetir o que fizemos ontem e hoje. Mas, se prestarmos atenção, vamos nos dar conta de que nenhum dia é igual a outro. Cada manhã traz uma bênção escondida; uma bênção que só serve para esse dia e que não se pode guardar nem desaproveitar.Se não usamos este milagre hoje, ele vai se perder.Este milagre está nos detalhes do cotidiano; é preciso viver cada minuto porque ali encontramos a saída de nossas confusões, a alegria de nossos bons momentos, a pista correta para a decisão que tomaremos.Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior porque todos os dias são diferentes, porque estamos em constante processo de mudança.'
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[Paulo Coelho]

domingo, 21 de dezembro de 2008

'Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear... isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto.

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.'

[Francisco Buarque de Holanda]

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Ouvi há algum tempo, nem lembro de quem nem onde, a expressão “pessoas invisíveis” aplicada àquelas pessoas que tão comumente vemos pedindo e vendendo coisas pelas ruas. Sim, “invisíveis”. Desvia-se delas como se ali não estivessem, como um mero obstáculo, um objeto, uma coisa. É certo que se formos parar e dar atenção ou dinheiro para todas que encontramos no caminho a coisa fica inviável. No entanto, além do dinheiro, pra fins diversos, seja realmente para comer, para comprar remédio, ou para um fim menos nobre, talvez essas pessoas queiram simplesmente atenção. Alguém que as veja e ouça, que as conforte.

Hoje, um guri no ponto de ônibus, com vinte anos ou menos, pediu moedas, segundo ele para comer. Creio que realmente fosse. Ele era bonito, loiro, dentes perfeitos, mal vestido, meio sujo, com roupas que certamente já tinham sido de outra pessoa. Como não é incomum notar nas pessoas que pedem, ele tinha um olhar triste e subserviente, o que muitas vezes não passa de mera encenação; entretanto, senti que não era e dei a moeda. Ele começou a falar algo, meio a chorar, eu continuei no meu mundo, na música que eu ouvia, mal lhe prestei atenção. Ele agradeceu e se foi. Talvez ele quisesse ser ouvido, visto. Talvez não ser invisível fosse mais importante do que receber um real. Enfim, pensei que poderia ter prestado atenção no que ele queria dizer, coisa que ninguém no ponto de ônibus fez, tampouco deu dinheiro, e nisso penso também que melhor do ter dado dinheiro seria ter comprado um lanche pra ele.

Mas novamente isso se tornaria inviável, haja vista o imenso número de pessoas na mesma situação. Às vezes em certos lugares é impossível andar cem metros sem ser abordado. Essas situações, sempre constrangedoras, detonam uma carga reflexiva imensa: esmola não resolve, quem pede pode estar agindo de má fé. Esmola não resolve a situação da pessoa, mas é um paliativo importante para quem tem fome... Qual a solução? Uma delas seria tornar essas pessoas visíveis. Visíveis cada uma e todas. Contudo, como fazer isso com tranqüilidade quando se teme ser assaltado ou enganado? Intuição não basta. E instituição?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

"A floresta é um organismo peculiar de benevolência ilimitada, que não faz nenhuma exigência para o seu sustento, e fornece generosamente os produtos de sua existência. Ela também abriga todos os seres, inclusive o lenhador que a destrói."
(Buda)
(...) Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre. Sou paciente mas profundamente colérico, como a maioria dos pacientes. As pessoas nunca me irritam mesmo, certamente porque eu as perdôo de antemão. Gosto muito das pessoas por egoísmo: é que elas se parecem no fundo comigo. Nunca esqueço uma ofensa, o que é uma verdade, mas como pode ser verdade, se as ofensas saem de minha cabeça como se nunca nela tivessem entrado? (...) Tenho uma paz profunda (...) somente porque ela é profunda e não pode ser sequer atingida por mim mesmo. Se fosse alcançável por mim, eu não teria um minuto de paz. Quanto à minha paz superficial, ela é uma alusão è verdadeira paz. Outra coisa que esqueci é que há outra alusão em mim – a do mundo grande e aberto. (...) apesar do meu ar duro, sou cheio de muito amor e é isso que certamente me dá uma grandeza.”
(Clarice Lispector)

sábado, 13 de dezembro de 2008

'A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais
A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino; A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz
Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz
Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais" '
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[A IDADE DE SER FELIZ - Màrio Quintana]
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"Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa."
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

"As pessoas viajam para admirar a altura das montanhas, as imensas ondas dos mares, o longo percurso dos rios, o vasto domínio do oceano, o movimento circular das estrelas, e no entanto elas passam por si mesmas sem se admirarem."
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[Santo Agostinho]

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Quem não sonha ou já sonhou ter um filho? Eu quero muito ter um, se Deus assim me permitir. Mas confesso não fazer questão de que seja biologicamente meu.

Não podemos resolver a questão da desigualdade social e racial do mundo, mas temos a oportunidade de, em pequenos gestos, reconhecer no outro a extensão de nós mesmos. Uma delas é pela adoção.

A criação e o desenvolvimento de um filho são puramente culturais. Dependem muito mais do carinho dos pais e das influências do meio em que estão inseridos do que de razões biológicas. Os determinantes genéticos, a bem da verdade, servem basicamente para duas coisas: definir doenças potenciais e características físicas.

Se adoto uma criança sã - até mesmo especial, o que de maneira alguma invalida sua capacidade de se desenvolver na sociedade dita "normal" - a única coisa que teria a lamentar seria o fato de o filho adotivo não ser parecido comigo. Mas, honestamente, isso é motivo para alguém se lamentar?

Só em um mundo que privilegia as aparências. Quantos filhos ditos "de sangue" - expressão que só mostra ignorância e visão limitada do ser humano - não são completamente diversos dos pais? E aí não me refiro aos olhos da mesma cor ou à pele do mesmo tom, muito menos se os cabelos são lisos ou cacheados.

Muitos filhos de sangue são diariamente largados no próprio lar por pais que não fazem a menor questão de dispensar o amor que lhes seria devido. Se são sangue do meu sangue, devem pensar, herdarão os bons costumes. E os vêem muitas vezes se tornarem adultos sem o menor cuidado em mediar suas relações sociais em bases éticas.

Por isso, antes um filho adotivo com caráter, visão humana, cidadão de bem e amoroso. Aliás, costumam receber mais cuidado e atenção de seus pais de coração e não por acaso se tornam também pessoas mais humildes, carinhosas, compreensivas, enfim, especiais mesmo.

Nascimento é uma delas. Dono de um olhar terno e uma voz que toca a alma profundamente, metade da alma e do sorriso de Milton resolveriam 90% das questões de nosso mundo superficial, competitivo e corrosivo.

Se um dia tiver dois filhos e puder escolher, é certo que ao menos um deles será adotivo. E criarei com o mesmo amor, dedicação e cuidados que o suposto "filho de sangue". Na verdade, sangue só existe um. Vermelho. Como olhos existem para ver igualmente e mãos para sentirem igualmente. Diferente é pensar diferente.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

"Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Quanto nome tem a Rainha do Mar?

Dandalunda, Janaína,
Marabô, Princesa de Aiocá,
Inaê, Sereia, Mucunã,
Maria, Dona Iemanjá.

Onde ela vive?
Onde ela mora?

Nas águas,
Na loca de pedra,
Num palácio encantado,
No fundo do mar.


O que ela gosta?
O que ela adora?

Perfume,
Flor, espelho e pente
Toda sorte de presente
Pra ela se enfeitar.

Como se saúda a Rainha do Mar?
Como se saúda a Rainha do Mar?

Alodê, Odofiaba,
Minha-mãe, Mãe-d'água,
Odoyá!

Qual é seu dia,
Nossa Senhora?

É dia dois de fevereiro
Quando na beira da praia
Eu vou me abençoar.

O que ela canta?
Por que ela chora?

Só canta cantiga bonita
Chora quando fica aflita
Se você chorar.

Quem é que já viu a Rainha do Mar?
Quem é que já viu a Rainha do Mar?

Pescador e marinheiro
que escuta a sereia cantar
é com o povo que é praiero
que dona Iemanjá quer se casar."

Perceba o mundo alem dos seus olhos.
Meu maior medo é viver sozinha, sem fé ou amor. Meu maior medo é viver sem amigos, cúmplices, amantes. Meus maior medo é não ter um sorriso guardado e perder todos os meus abraços. Meu maior medo é não ter esperança ou te-la só para me desapontar. Meu maior medo é ter ilusões ou viver em um mundo cruel. Meu maior medo é almoçar sozinha, jantar sozinha e causar compaixão em garçons e outros. Meu maior medo é ser rejeitada e não ver no próximo o brilho dos olhos. Meus maior medo é ajudar os outros por que não sei ajudar-me. Meu maior medo é a espera de um futuro. Meu maior medo é a incerteza da minha vida. Meu maior medo é o amor não recebido. Meu maior medo é a vontade de causar orgulho em outros quando se tem a certeza que não causará. Meu maior medo é conversar com meus pensamentos e não ouvir respostas. Meus maior medo é a necessidade de ligar a televisão ou o som enquanto tomo banho, para ter o que escutar. Meu maior medo é ouvir os programas do fim de semana de todos e enfrentar o meu sozinha. Meu maior medo é adorar a segunda feira por que todos parecem tão anti-social quanto você. Meu maior medo é me ver sozinha em uma festa e voltar para casa achando que tudo esta normal. Meu maior medo é ter duvidas em comprar presentes para mim. Meu maior medo é não conseguir terminar um saco de pipoca no cinema por não ter com quem dividir. Meu maior medo é ter que terminar um apresentação de dança ou um jogo e não ter com quem conversar e comentar os detalhes. Meu maior medo é tentar agradar quem não deseja. Meu maior medo é ver os mais belos espetáculos da natureza e sentir que nada esta perfeito. Meu maior medo é escrever meus solitários e singelos pensamentos para não pensar. E alem, meu maior medo é desejar não ler depois.

Jéssica C. Leal