Isso mesmo. A consciência é uma janela por onde você pode olhar uma paisagem. Pensando bem. Uma janela é um furo, é um buraco, é um vazio. Uma janela não é nada! Mas é um tipo muito especial de nada. Uma janela é um tipo de nada que permite que você veja tudo. Isso é a consciência.
Por isso, é importante manter sua consciência desobstruida. E procurar expandi-la. Quanto maior a janela, mais se pode ver atraves dela. Quanto maior a janela, mais ar, mais luz. Portanto, não pense que a consciência deva ter conteúdos. Não deixe que encham sua consciência com "coisas". Se você quer que uma janela de fato funcione como janela, não amontoe coisas sobre o parapeito. Deixe-a funcionar como ela é: um vazio útil.
A janela da consciência da para uma grande paisagem. Atraves dela, podem-se ver muitas coisas. Uma parte dessas coisas tem origem no mundo fora de você. Se você não existisse, suas sensações e percepções não existiriam. Mas você sabe que elas vêm de fora. Porque sabe que elas só estão dentro de você naquela hora. Sabe que existe algo fora, que as provoca dentro.
Uma outra parte dessa paisagem - que pode ser vista através da janela de sua consciência - parece existir dentro de você, não depende de nada fora de você e você pode colocá-lo na janela a qualquer momento. É a parte da memória à qual você tem acesso na hora que quiser, aquela parte da memória que você, digamos, pode "lembrar" quando quer.
José Ernesto Bologna. Estação desembarque. p. 55. 58-9
(Texto discutido em uma aula de Bases filosóficas da psicologia)
/Jéssica C. Leal
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