quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Assim, sob esta tempestuosa vida quero mais uma vez mobilizar o seu espírito na certeza de que possuímos a necessária afinidade para nos reconhecer dignos de acreditar num amanhã melhor.
Temos o dever de não fazer nada que não sejamos capazes de entender e sem relutar, estudar tudo que em nós pode ser melhorado, aprendendo o que for necessário saber para sermos felizes. Vamos celebrar os nossos passos sem recuar ante as dificuldades! Sem obstáculos a vida não nos ensinaria nada proveitoso!
Estejamos então, afinados com a nossa razão de ser. Assim, com todas as credenciais que Deus nos permitiu desenvolver é que desejamos por pura afinidade e amor a vida.
Que não nos esqueçamos de agradecer por tudo que conquistamos!
Que renovados então para um novo amanhecer em 2009, nos encontremos despidos de egoísmos e de descrenças. Que nossas convicções estejam afinadas com a verdadeira paz franciscana. Que o ar seja só de amor e que a solidariedade não repouse apenas nas nossas palavras. Que tenhamos afinidade com o Deus que conseguimos reconhecer, para que na medida certa, sejamos instrumentos de uma só paz.

Vamos globalizar nossas virtudes em prol do bem maior que possuímos: A Vida!
E reconhecer que sem o outro nada somos!
Um excelente ano de 2009!

- Jéssica C. Leal

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Acredite nas pessoas. Esqueça sua origem, sua cor, seus bens, sua casa, suas roupas. Olhem alem. Acredite naquelas que possuem algo mais. Aquelas que, às vezes, a gente confunde com anjos e outras divindades. Digo daquelas pessoas que existem em nossas vidas e enchem nosso espaço com pequenas alegrias e grandes atitudes. Falo daquelas que te olham nos olhos quando precisam ser verdadeiras, tecendo elogios, que pedem desculpas com a simplicidade de uma criança. Pessoas firmes. Verdadeiras, transparentes, amigas, ingénuas. Que com um sorriso, um beijos, um abraço, uma palavra te faz feliz. Aquelas que erram, acertam, não tem vergonha de dizer "não sei", aquelas que sonham, aquelas amigas, aquelas que passam pela vida deixando sua marca, saudades, aquelas que fazem à diferença. Perto disso nada mas interessa, apenas acredite. muito mais nas pessoas que apenas um brilho nos olhos, sábio é o que consegue desvenda-los.

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'Podemos acreditar que tudo que a vida nos oferecerá no futuro é repetir o que fizemos ontem e hoje. Mas, se prestarmos atenção, vamos nos dar conta de que nenhum dia é igual a outro. Cada manhã traz uma bênção escondida; uma bênção que só serve para esse dia e que não se pode guardar nem desaproveitar.Se não usamos este milagre hoje, ele vai se perder.Este milagre está nos detalhes do cotidiano; é preciso viver cada minuto porque ali encontramos a saída de nossas confusões, a alegria de nossos bons momentos, a pista correta para a decisão que tomaremos.Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior porque todos os dias são diferentes, porque estamos em constante processo de mudança.'
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[Paulo Coelho]

domingo, 21 de dezembro de 2008

'Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear... isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto.

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.'

[Francisco Buarque de Holanda]

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Ouvi há algum tempo, nem lembro de quem nem onde, a expressão “pessoas invisíveis” aplicada àquelas pessoas que tão comumente vemos pedindo e vendendo coisas pelas ruas. Sim, “invisíveis”. Desvia-se delas como se ali não estivessem, como um mero obstáculo, um objeto, uma coisa. É certo que se formos parar e dar atenção ou dinheiro para todas que encontramos no caminho a coisa fica inviável. No entanto, além do dinheiro, pra fins diversos, seja realmente para comer, para comprar remédio, ou para um fim menos nobre, talvez essas pessoas queiram simplesmente atenção. Alguém que as veja e ouça, que as conforte.

Hoje, um guri no ponto de ônibus, com vinte anos ou menos, pediu moedas, segundo ele para comer. Creio que realmente fosse. Ele era bonito, loiro, dentes perfeitos, mal vestido, meio sujo, com roupas que certamente já tinham sido de outra pessoa. Como não é incomum notar nas pessoas que pedem, ele tinha um olhar triste e subserviente, o que muitas vezes não passa de mera encenação; entretanto, senti que não era e dei a moeda. Ele começou a falar algo, meio a chorar, eu continuei no meu mundo, na música que eu ouvia, mal lhe prestei atenção. Ele agradeceu e se foi. Talvez ele quisesse ser ouvido, visto. Talvez não ser invisível fosse mais importante do que receber um real. Enfim, pensei que poderia ter prestado atenção no que ele queria dizer, coisa que ninguém no ponto de ônibus fez, tampouco deu dinheiro, e nisso penso também que melhor do ter dado dinheiro seria ter comprado um lanche pra ele.

Mas novamente isso se tornaria inviável, haja vista o imenso número de pessoas na mesma situação. Às vezes em certos lugares é impossível andar cem metros sem ser abordado. Essas situações, sempre constrangedoras, detonam uma carga reflexiva imensa: esmola não resolve, quem pede pode estar agindo de má fé. Esmola não resolve a situação da pessoa, mas é um paliativo importante para quem tem fome... Qual a solução? Uma delas seria tornar essas pessoas visíveis. Visíveis cada uma e todas. Contudo, como fazer isso com tranqüilidade quando se teme ser assaltado ou enganado? Intuição não basta. E instituição?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

"A floresta é um organismo peculiar de benevolência ilimitada, que não faz nenhuma exigência para o seu sustento, e fornece generosamente os produtos de sua existência. Ela também abriga todos os seres, inclusive o lenhador que a destrói."
(Buda)
(...) Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre. Sou paciente mas profundamente colérico, como a maioria dos pacientes. As pessoas nunca me irritam mesmo, certamente porque eu as perdôo de antemão. Gosto muito das pessoas por egoísmo: é que elas se parecem no fundo comigo. Nunca esqueço uma ofensa, o que é uma verdade, mas como pode ser verdade, se as ofensas saem de minha cabeça como se nunca nela tivessem entrado? (...) Tenho uma paz profunda (...) somente porque ela é profunda e não pode ser sequer atingida por mim mesmo. Se fosse alcançável por mim, eu não teria um minuto de paz. Quanto à minha paz superficial, ela é uma alusão è verdadeira paz. Outra coisa que esqueci é que há outra alusão em mim – a do mundo grande e aberto. (...) apesar do meu ar duro, sou cheio de muito amor e é isso que certamente me dá uma grandeza.”
(Clarice Lispector)

sábado, 13 de dezembro de 2008

'A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais
A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino; A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz
Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz
Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais" '
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[A IDADE DE SER FELIZ - Màrio Quintana]
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"Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa."
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

"As pessoas viajam para admirar a altura das montanhas, as imensas ondas dos mares, o longo percurso dos rios, o vasto domínio do oceano, o movimento circular das estrelas, e no entanto elas passam por si mesmas sem se admirarem."
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[Santo Agostinho]

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Quem não sonha ou já sonhou ter um filho? Eu quero muito ter um, se Deus assim me permitir. Mas confesso não fazer questão de que seja biologicamente meu.

Não podemos resolver a questão da desigualdade social e racial do mundo, mas temos a oportunidade de, em pequenos gestos, reconhecer no outro a extensão de nós mesmos. Uma delas é pela adoção.

A criação e o desenvolvimento de um filho são puramente culturais. Dependem muito mais do carinho dos pais e das influências do meio em que estão inseridos do que de razões biológicas. Os determinantes genéticos, a bem da verdade, servem basicamente para duas coisas: definir doenças potenciais e características físicas.

Se adoto uma criança sã - até mesmo especial, o que de maneira alguma invalida sua capacidade de se desenvolver na sociedade dita "normal" - a única coisa que teria a lamentar seria o fato de o filho adotivo não ser parecido comigo. Mas, honestamente, isso é motivo para alguém se lamentar?

Só em um mundo que privilegia as aparências. Quantos filhos ditos "de sangue" - expressão que só mostra ignorância e visão limitada do ser humano - não são completamente diversos dos pais? E aí não me refiro aos olhos da mesma cor ou à pele do mesmo tom, muito menos se os cabelos são lisos ou cacheados.

Muitos filhos de sangue são diariamente largados no próprio lar por pais que não fazem a menor questão de dispensar o amor que lhes seria devido. Se são sangue do meu sangue, devem pensar, herdarão os bons costumes. E os vêem muitas vezes se tornarem adultos sem o menor cuidado em mediar suas relações sociais em bases éticas.

Por isso, antes um filho adotivo com caráter, visão humana, cidadão de bem e amoroso. Aliás, costumam receber mais cuidado e atenção de seus pais de coração e não por acaso se tornam também pessoas mais humildes, carinhosas, compreensivas, enfim, especiais mesmo.

Nascimento é uma delas. Dono de um olhar terno e uma voz que toca a alma profundamente, metade da alma e do sorriso de Milton resolveriam 90% das questões de nosso mundo superficial, competitivo e corrosivo.

Se um dia tiver dois filhos e puder escolher, é certo que ao menos um deles será adotivo. E criarei com o mesmo amor, dedicação e cuidados que o suposto "filho de sangue". Na verdade, sangue só existe um. Vermelho. Como olhos existem para ver igualmente e mãos para sentirem igualmente. Diferente é pensar diferente.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

"Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Quanto nome tem a Rainha do Mar?

Dandalunda, Janaína,
Marabô, Princesa de Aiocá,
Inaê, Sereia, Mucunã,
Maria, Dona Iemanjá.

Onde ela vive?
Onde ela mora?

Nas águas,
Na loca de pedra,
Num palácio encantado,
No fundo do mar.


O que ela gosta?
O que ela adora?

Perfume,
Flor, espelho e pente
Toda sorte de presente
Pra ela se enfeitar.

Como se saúda a Rainha do Mar?
Como se saúda a Rainha do Mar?

Alodê, Odofiaba,
Minha-mãe, Mãe-d'água,
Odoyá!

Qual é seu dia,
Nossa Senhora?

É dia dois de fevereiro
Quando na beira da praia
Eu vou me abençoar.

O que ela canta?
Por que ela chora?

Só canta cantiga bonita
Chora quando fica aflita
Se você chorar.

Quem é que já viu a Rainha do Mar?
Quem é que já viu a Rainha do Mar?

Pescador e marinheiro
que escuta a sereia cantar
é com o povo que é praiero
que dona Iemanjá quer se casar."

Perceba o mundo alem dos seus olhos.
Meu maior medo é viver sozinha, sem fé ou amor. Meu maior medo é viver sem amigos, cúmplices, amantes. Meus maior medo é não ter um sorriso guardado e perder todos os meus abraços. Meu maior medo é não ter esperança ou te-la só para me desapontar. Meu maior medo é ter ilusões ou viver em um mundo cruel. Meu maior medo é almoçar sozinha, jantar sozinha e causar compaixão em garçons e outros. Meu maior medo é ser rejeitada e não ver no próximo o brilho dos olhos. Meus maior medo é ajudar os outros por que não sei ajudar-me. Meu maior medo é a espera de um futuro. Meu maior medo é a incerteza da minha vida. Meu maior medo é o amor não recebido. Meu maior medo é a vontade de causar orgulho em outros quando se tem a certeza que não causará. Meu maior medo é conversar com meus pensamentos e não ouvir respostas. Meus maior medo é a necessidade de ligar a televisão ou o som enquanto tomo banho, para ter o que escutar. Meu maior medo é ouvir os programas do fim de semana de todos e enfrentar o meu sozinha. Meu maior medo é adorar a segunda feira por que todos parecem tão anti-social quanto você. Meu maior medo é me ver sozinha em uma festa e voltar para casa achando que tudo esta normal. Meu maior medo é ter duvidas em comprar presentes para mim. Meu maior medo é não conseguir terminar um saco de pipoca no cinema por não ter com quem dividir. Meu maior medo é ter que terminar um apresentação de dança ou um jogo e não ter com quem conversar e comentar os detalhes. Meu maior medo é tentar agradar quem não deseja. Meu maior medo é ver os mais belos espetáculos da natureza e sentir que nada esta perfeito. Meu maior medo é escrever meus solitários e singelos pensamentos para não pensar. E alem, meu maior medo é desejar não ler depois.

Jéssica C. Leal

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Tudo Passa

Certo dia um sacerdote percebeu a seguinte frase em um pergaminho pendurado aos pés da cama de seu mestre:
"Isso também passa".
Com a curiosidade de cada ser humano resolveu perguntar:
- "Mestre, o que significa essa frase?"
E o mestre sem titubear lhe responde:
- A vida nos prega muitas peças, que podem ser boas ou não. Mas tudo significa aprendizado.
Recebi esta mensagem de um anjo protetor num desses momentos de dor onde quase perdi a fé.
Ela é para que todos os dias antes de me levantar e de me deitar possa ler e refletir, para que quando tiver um problema, antes de me lamentar eu possa me lembrar que "isso também passa".
E para quando estiver exaltado de alegria, que tenha moderação e possa encontrar o equilíbrio, pois "isso também passa".
Tudo na vida é passageiro assim como a própria vida, tanto as tristezas como também as alegrias. Praticar a paciência e perseverar no bem e nas boas ações ter simplicidade, fé e pensamentos positivos mesmo perante as mais difíceis situações é saber viver e fazer da nossa vida um constante aprendizado.
É ter a consciência de que todas as pessoas erram, de que o ser humano ainda é um ser imperfeito em busca da perfeição e por isso até saber que se muitas vezes nos decepcionamos com pessoas é porque esperamos mais do que elas estão preparadas para dar, dentro de seu contexto e grau de compreensão.
Deste modo, meu amigo, toda vez que olho para essa frase, meu coração se aquieta e a paz me invade, pois sei que "isso também passa".
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Fraternidade, ainda que tardia

Dos três lemas da Revolução Francesa, a fraternidade é a mais esquecida pelos cantos. Relegada a um segundo plano social, em grande parte das vezes só encontra eco nos salões ocultos da religião ou como um expurgo do sentimento de culpa humana no trato para com seu semelhante.

Parece haver uma polarização irreversível no lidar com a alteridade, que oscila entre a hipocrisia e a conveniência. Diante de um grande tema que ponha em xeque o discurso da supremacia humana, como a violência, a corrupção ou as disparidades sociais, tendemos a pôr a culpa ora na falência das instituições, ora na insolvência do projeto existencial, como se disséssemos que falhamos por natureza e a humanidade é um erro.

A luta pela liberdade é um tópico central da sociedade moderna. Há uma aceitação razoável para com diferenças sociais, fome e epidemias. Até mesmo conflitos armados são tolerados em prol de uma liberdade desejada - mesmo sabendo que, no fundo, ela não será extensiva a todos num nível mais sutil.

Embora a igualdade não goze de semelhante prestígio no imaginário coletivo, ela se expressa normativamente na predominância de regimes laicos e, dentro deles, na universalidade do discurso legal: iguais perante à lei e condenados ao cárcere no seu descumprimento.

Acontece que reconhecer o outro como extensão de nós mesmos ainda é um desafio pouco tangível em uma sociedade que não associa desenvolvimento humano à humanização. O discurso do auxílio ao próximo quase sempre é listado no rol de ações religiosas, relegado a segundo plano ou exageradamente glorificado no campo da pregação fanática, mas raramente visto como uma obrigação civil.

Talvez porque nossa história tenha estratificado o tripé da modernidade. É como se a igualdade necessariamente passasse pela perfeição do projeto de liberdade e a fraternidade não fosse possível num mundo desigual por essência. Quem ajuda aos pobres de maneira privada é assistencialista e só contribui para a manutenção do fosso social. Outros se isentam relegando o papel ao Estado, já que são descontados em seus vencimentos. Isso lembra muito o discurso dos que comem carne dizendo que se comprazem do sofrimento do animal, mas nada vai mudar se deixarem de fazê-lo, então melhor que comam mesmo.

Por outro lado, é curioso que só se entenda fraternidade como ajuda e não um momento cotidiano que raramente sabemos aproveitar. Se podemos criticar a posição do outro na reunião entre amigos, para que elogiar? Se surge a oportunidade de derrubar o companheiro de trabalho pela falha eventual, bobagem ressaltar as características que o tornam bom profissional. No entanto, vivemos nos lamentando quando somos vítimas da inveja e das injustiças do próximo para conosco.

São muitas as oportunidades de exercermos o descontrole do status social, mas raramente optamos por fazê-lo, talvez porque nos sejam mais agradáveis as risadas das hienas à beira da tragédia do que o vôo solo da águia a buscar novos horizontes. Há uma sabedoria inerente ao movimento da discordância, quando é melhor se sentir um peixe fora d'água do que afundar num lago de egos inflados.

A criação de uma sociedade humanamente sustentável começa em pequenos gestos, necessários à naturalização do discurso em prol da alteridade. Sem eles, continuaremos a transferir a culpa pelos insucessos no trato com o próximo às instituições, mal nos dando conta de que não há sociedade igualitária nem liberta sem a prática ampla, geral e irrestrita da fraternidade.

E amar o próximo não parece assim tão complicado.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Versos que encantam pela sonoridade, por adormecerem nossos corpos ainda na primeira idade, mas que entram e saem por nossos ouvidos como as brisas que assopram nosso dia a dia. Por onde andam nossas cantigas de ninar?

Pouco ou raramente temos a chance na vida de refletir sobre aquele punhado de palavras ditas por nossos pais, tios ou avós. E perceber sua sabedoria ímpar, ora imersa em códigos que passam inocentes por nossos sentidos, ora bem ali em nossa frente, porém guardada num passado que não acessamos mais.

Talvez por nos ocuparamos com tantos pequenos porquês de nosso mundo sério de gente grande, cantigas virem poeira, como as que cercam os livros de infância que ano após ano jogamos fora em nossas arrumações domésticas.

Uma pena que tão cedo esses legados despretensiosos tenham sido substituídos por fórmulas e teoremas nas salas de aula da vida, omitindo-nos a contribuição de nossa cultura e de quem mais deseja o nosso bem-estar.

Hoje acordei com uma dessas músicas na cabeça. Muitos devem lembrar-se dela.

"Se essa rua, se essa rua fosse minha... eu mandava, eu mandava ladrilhar... Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante... só pra ver, só pra ver meu bem passar. Nessa rua, nessa rua tem um bosque... que se chama, que se chama solidão... Dentro dele, dentro dele mora um anjo... que roubou, que roubou meu coração. Se eu roubei, se eu roubei teu coração... tu roubaste, tu roubaste o meu também... Se eu roubei, se eu roubei teu coração... foi porque, só porque te quero bem".

Quanta coisa singela e ao mesmo tempo necessária... quantas previsões... Nas ruas que são nossas teríamos aprendido sobre limites, atalhos, responsabilidades e o cultivar para cativar. No bosque dos anjos ladrões, saberíamos que inveja, ciúme e insegurança andam lado a lado. Que possuir não é ter verdadeiramente. E, finalmente, que estar com não basta para duas almas serem irmãs e libertas.

Ainda assim, rumamos por estradas tortas, enladrilhadas de cacos mal-juntados de experiências. Não importa o quanto erramos, mas em quantas dessas vezes o fazemos com vontade de acertar.
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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Sim, eu voto pelo desarmamento.

Desarmem-se as consciências dos preconceitos sem sentido, as famílias do falso moralismo, os conceitos engessados que se perderam no tempo, a sociedade dos pensamentos ocultos, as ofensas desumanas que não cabem dentro de cada um.

Eu voto pelo desarmamento da velha política, dos esquemas sujos que envergonham o país. Desarmem a corrupção e seus autores que nos enganam, matando nossos sonhos e assassinando ideais de um país mais justo.

Meu voto é pelo desarmamento das ruas e seus fuzis barulhentos que disparam ódio, filhos da pressa, irmãos do stress, netos de um despotismo nada esclarecido.

Desarmem-se as bandeiras que sangram de ira, as línguas que destilam inveja, os corações que pulsam mágoa. Desarmem quem insiste em abrir as veias de nossa nação, os que se fartam da falsa riqueza e da pretensa nobreza. Atear fogo no lixo da sociedade? Atirar pedras nos que já cambaleiam?


Voto pelo desarmamento dos casais. Deponham os revólveres do ciúme, as pistolas da vingança, as carabinas do rancor. Sejam suas munições beijos; os tiros, afagos; a arma, o perdão. Calibre? O amor e suas balas que penetram sem perfurar.

Desarme-se a continuidade das cruzadas, basta de novos gladiadores, chega de fogueiras e caça às bruxas. Desarmem as fantasias de super-heróis, os bandidos que só são bandidos e os mocinhos que só são mocinhos.

Meu voto é pelo desarmamento do medo, da paralisia que impregna as cidades, da desconfiança perante o desconhecido. Quantas vezes não fabricamos armas e as entregamos de bandeja nas mãos do algoz, ainda que sejam eles nós mesmos...

Eu voto sim para a franqueza, não para a hipocrisia; sim pelos direitos que sabemos impor, não pelos deveres que aceitamos adquirir.

Meu voto é duplo, jamais nulo. Sim e não. Nascimento e morte. Respeito e reverência às naturezas. A minha, a tua, a dele, a nossa, a vossa, a deles.

Ah, se me fosse lícito o voto multicor... cheio de opções pra escolher algumas, pleno de flores para abastecer minha roleta russa. E poderia distribuir tiros de bom dia, como vai, precisa de ajuda?

Sim, te ajudaria. Não, não cobraria. Apenas faria atirar pro alto rojões de felicidade sempre que a sentisse perfurar nossas almas enquanto te ofereceria deliciosas bombas de chocolate pra agradar teu dia. E se meu peito explodisse de raiva ou ruísse de tristeza, fecharia os olhos e contaria até dez, cem, mil. O quanto fosse preciso pra me desarmar e seguir de alma lavada.

Bom seria crescer e ver bolas de tênis não mais reféns de pés escaldados pelo asfalto da metrópole. E as armas voltando a ser lápis, cadernos, livros e corações desarmados; bocas sorridentes e olhares sinceros engatilhados tão somente pra disparar felicidade aos quatro ventos...

Ainda não podemos votar por isso. Esse referendo passa ao largo de nossa pretensa genialidade.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O medo é um sentimento que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. Pavor é a ênfase do medo. O medo pode provocar reações físicas como descarga de adrenalina, aceleração cardíaca e tremor. Pode provocar atenção exagerada a tudo que ocorre ao redor, depressão,pânico etc. O medo é uma reação obtida a partir do contato com algum estímulo físico ou mental (interpretação, imaginação, crença) que gera uma resposta de alerta no organismo. Esta reação inicial dispara uma resposta fisiológica no organismo que libera hormônios do estresse (adrenalina, cortisol) preparando o indivíduo para lutar ou fugir. A resposta anterior ao medo é conhecida por ansiedade. Na ansiedade o indivíduo teme antecipadamente o encontro com a situação ou objeto que lhe causa medo. Sendo assim, é possível se traçar uma escala de graus de medo, no qual, o máximo seria o pavor e, o mínimo, uma leve ansiedade. O medo pode se transformar em uma doença (a Fobia) quando passa a comprometer as relações sociais e a causar sofrimento psíquico. A técnica mais utilizada pelos psicólogos para tratar o me do se chama Dessensibilização Sistemática. Com ela se constrói uma escala de medo, da leve ansiedade até o pavor, e, progressivamente, o paciente vai sendo encorajado a enfrentar o medo. Ao fazer isso o paciente passa, gradativamente, por um processo de restruturação cognitiva em que ocorre uma re-aprendizagem, ou ressig nificação, da reação que anteriormente gerava a resposta de alerta no organismo para uma reação mais equilibrada.


- 2 dias para a prova.
'Deixa partir
O que não te pertence mais
Deixa seguir o que não poderá voltar
Deixa morrer o que a vida já despediu
Abra a porta do quarto e a janela
Que o possível da vida te espera
Vem depressa que a vida precisa continuar
O que foi já não serve é passado
E o futuro ainda está do outro lado
E o presente é o presente que o tempo quer te entregar
Fala pra mim
Se achares que posso ouvir
Chora ao teu Deus se não podes compreender
Rasga este véu do calvário que te envolveu
Tão sublime segredo se esconde
Nesta dor que escurece o horizonte
Que por hora impedem os teus olhos de contemplarem
O eterno presente do tempo
O ausente o presente em segredo
Na sagrada saudade que deixa continuar
Deixa morrer o que a morte já sepultou
Deixa viver o que dela ressuscitou
Não queiras ter o que ainda não pode ser
É possível crescer nesta hora
Mesmo quando o que amamos foi embora
A saudade eterniza a presença de quem se foi
Com o tempo esta dor se aquieta
Se transforma em silencio que espera
Pelos braços da vida um dia reencontrar.'
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[Padre Fábio de Melo]

terça-feira, 18 de novembro de 2008

‘Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia-noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque está chovendo... ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro... ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde... ou dar graças por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria.... ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar.... ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com as tarefas da casa... ou agradecer a Deus por ter um teto para morar. Posso lamentar decepções com amigos... ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei, posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim.’
"Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?"
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[Oswaldo Montenegro]

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

'Já és meu.
Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalho, devem dormir agora.
Gira a noite sobre suas invisíveis rodas
e junto a mim és puro como âmbar dormido
Nenhum mais, amor, dormira com meus sonhos
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhum viajará pela sombra comigo, só tu.
sempre vivo... sempre sol... sempre lua...
Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo
teus olhos se fecharam como
duas asas cinzas, enquanto eu sigo a água
que levas e me leva.
A noite... o mundo... o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho.'
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[Pablo Neruda]
'Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à portapara premiar-nos
com uma laranjaou assassinar-nos de imediato.'
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[Pablo Neruda (Últimos Poemas)]

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

"Há certas horas, em que não precisamos de um amor
Não precisamos da paixão desmedida
Não queremos beijo na boca
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro,
o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado
Sem nada dizer
Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar,
que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente,
a brincar com a gente, a nos fazer sorrir
Alguém que ria de nossas piadas sem graça
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo
Que nos teça elogios sem fim
E que apesar de todas essas mentiras úteis,
nos seja de uma sinceridade inquestionável
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado
Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado
Ou alguém que apenas diga:
Sou seu amor!
E estou Aqui!"
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[William Shakespeare]

terça-feira, 4 de novembro de 2008

"Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece.
Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade."
.
.
[Legião Urbana]
'Diante das dificuldades e desafios que a vida nos propõe muitas vezes o mundo parece conspirar para que a gente desista. Somos tentados a deixar para trás não apenas nossos sonhos, mas também pedaços de nós e de tudo em que acreditamos. Entretanto, para quem confia em dias melhores e em si mesmo esse é o momento exato para reerguer-se e lutar. Não importa de onde venha a nossa força, já que a verdadeira fé independe de crenças e religiões. O que interessa é buscar estímulos para seguir em frente, superar obstáculos, batalhar pelos nossos ideais. O que precisamos é acreditar que tudo é possível quando cultivamos a esperança dentro de nós. Milagres acontecem todos os dias, por toda a parte. Contudo, só os reconhece quem tem um coração repleto de fé e esperança.. quem se atreve a sonhar!! ツ
..εϊз..
[Márcia Duarte]

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

“Aqui não falta sol Aqui não falta chuva A terra faz brotar qualquer semente Se a mão de Deus Protege e molha o nosso chão Por que será que tá faltando pão? Se a natureza nunca reclamou da gente Do corte do machado, a foice, o fogo ardente Se nessa terra tudo que se planta dá Que é que há, meu país? O que é que há? Tem alguém levando lucro Tem alguém colhendo o fruto Sem saber o que é plantar Tá faltando consciência Tá sobrando paciência Tá faltando alguém gritar Feito um trem desgovernado Quem trabalha tá ferrado Nas mãos de quem só enganaFeito mal que não tem cura Estão levando à loucura O país que a gente ama Feito mal que não tem cura Estão levando à loucura O Brasil que a gente ama”

[Forte de Cabedelo - PB]

"Senho fazei de mim o instrumento de Vossa paz
Onde houver ódio
Que eu leve o amor
Onde houver ofenças
Que eu leve o perdão
Onde houver discórdia
Que eu leve a união
Onde houver trévas
Que eu leve a luz
Onde houver erro
Que eu leve a verdade
Onde houver desespero
Que eu leve a espença
Onde houver tristeza
Que eu leve alegria
Onde houver dúvidas
Que eu leve a fé
Mestre, fazei que eu procure mais
Consolar que ser consolado
Compreender que ser compreendido
Amar que ser amado
Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive para vida eterna"
.
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[Oração de São Francisco]

domingo, 2 de novembro de 2008

‘Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.
A vista, que em si mesma não se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.
Jura Amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoidece, se cuida que é verdade.
Olhai como Amor gera, num momento
De lágrimas de honesta piedade,
Lágrimas de imortal contentamento.’
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[Luís de Camões]

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

"Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade
Tudo está perdido mas existem possibilidades
Já passou, já passou - quem sabe outro dia
Antes eu sonhava, agora já não durmo
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho, mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada?
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda calma do mundo"
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[Renato Russo]
Não percas a tua fé entre as sombras do mundo. Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo. Crê e trabalha. Esforça-te no bem e espera com paciência. Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá. De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo. Eleva, pois, o teu olhar e caminha. Luta e serve. Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da noite. Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte. Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.
.
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[Chico Chavier]
"Eu hoje represento a loucura
Mais o que você quiser
Tudo que você vê sair da boca
De uma grande mulher
Porém louca!
Eu hoje represento o segredo
Enrolado no papel
Como Luz del Fuego
Não tinha medo
Ela também foi pro céu, cedo!
Eu hoje represento uma fruta
Pode ser até maçã
Não, não é pecado,
Só um convite
Venha me ver amanhã
Mesmo!
Amanhã! Amanhã! Amanhã!...
Eu hoje represento o folclore
Enrustido no metrô
Da grande cidade que está com pressa
De saber onde eu vou
Sem essa!
Eu hoje represento a cigarra
Que ainda vai cantar
Nesse formigueiro quem tem ouvidos
Vai poder escutar
Meu grito!
Eu hoje represento a pergunta
Na barriga da mamãe
E quem morre hoje, nasce outro dia
Pra viver amanhã
E sempre!"
.
.
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[Rita Lee]

sábado, 25 de outubro de 2008

"Os livros na estante já não tem mais tanta importância
Do muito que eu li, do pouco que eu sei
Nada me resta
A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei
Nem que seja só para estar ao seu lado
Só pra ler no seu rosto
Uma mensagem de amor
A noite eu me deito,
Então escuto a mensagem no ar
Tambores rufando
Eu já não tenho nada pra te dar
A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei
Nem que seja só para estar ao seu lado
Só pra ler no seu rosto
Uma mensagem de amor
No céu estrelado eu me perco
Com os pés na terra
Vagando entre os astros
Nada me move nem me faz parar
A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei
Nem que seja só para estar ao seu lado
Só pra ler no seu rosto
Uma mensagem de amor"
.
.
[Leo Jaime-desconheço o autor]
"Quantos caminhos um homem deve andar
pra que seja aceito como homem
quantos mares uma gaivota irá cruzar
para poder descansar na areia
quanto tempo as balas dos canhões
explodirão
antes de serem proibidas
the answer, my friend, is blowing in the wind
the answer is blowingin the wind
quantas vezes deve um homem olhar para cima
para poder ver o céu
quantos ouvidos um homem deve ter
para ouvir os lamentos do povo
quantas mortes ainda serão necessárias
para que se saiba que já se matou demais
the answer, my friend, is blowing in the wind
the answer is blowing in the wind
quanto tempo pode uma montanha existir
antes que o mar a desfaça
quanto tempo pode um povo viver
sem conhecer a liberdade
quanto tempo um homem deve virar a cabeça
fingindo não estar vendo
the answer, my friend, is blowing in the wind
the answer is blowing in the wind"
.
.
A Resposta Está No Ar (blown' In The Wind)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

'Uma prostituta chamada Brasil se esqueceu de tomar a pílula, e a barriga cresceu
Um bebê não estava nos planos dessa pobre meretriz de dezessete anos
Um aborto era uma fortuna e ela sem dinheiro
Teve que tentar fazer um aborto caseiro
Tomou remédio, tomou cachaça, tomou purgante
Mas a gravidez era cada vez mais flagrante
Aquele filho era pior que uma lombriga
E ela pediu prum mendigo esmurrar sua barriga
E a cada chute que levava o moleque revidava lá de dentro
Aprendeu a ser um feto violento
Um feto forte escapou da morte
Não se sabe se foi muito azar ou muita sorte
Mais nove meses depois foi encontrado, com fome e com frio,
Abandonado num terreno baldio
Pátria que me pariu! Quem foi a pátria que me pariu!?
A criança é a cara dos pais mais não tem pai nem mãe
Então qual é a cara da criança?
A cara do perdão ou da vingança?
Será a cara do desespero ou da esperança?
Num futuro melhor, um emprego, um lar
Sinal vermelho, não da tempo prá sonhar
Vendendo bala, chiclete...
Num fecha o vidro que eu num sou pivete
Eu não vou virar ladrão se você me der um leite, um pão, um vídeo game e uma televisão
Uma chuteira e uma camisa do mengão
Pra eu jogar na seleção, que nem o Ronaldinho
Vou pra copa vou pra Europa...
Coitadinho! Acorda moleque! Cê num tem futuro!
Seu time não tem nada a perder
E o jogo é duro! Você não tem defesa, então ataca!
Pra não sair de maca
Chega de bancar o babaca!
Eu não aguento mais dar murro em ponta de faca
E tudo o que eu tenho é uma faca na mão
Agora eu quero o queijo. Cade?
To cansado de apanhar. Tá na hora de bater!
Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu!?
Mostra tua cara, moleque! Devia tá na escola
Mas tá cheirando cola, fumando um beck
Vendendo brizola e crack
Nunca joga bola mais tá sempre no ataque
Pistola na mão, moleque sangue bom
E melhor correr que lá vem o camburão
É matar ou morrer! São quatro contra um!
Eu me rendo! Bum! Clá! Clá! Bum! Bum! Bum!
Boi, boi, boi da cara preta pega essa criança com um tiro de escopeta
Calibre doze na cara do Brasil
Idade catorze estado civil morto
Demorou, mais a sua pátria mãe gentil conseguiu realizar o aborto.'
.
[Gabriel O Pensador]
.
"A vida me ensinou
A dizer adeus às pessoas que amo, sem tira-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim, para mostra-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir;
Aprender com meus erros, afinal, eu posso ser sempre melhor;
A lutar contra as injustiças;
Sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo;
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhosa com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas", embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e esta me ensinando a aproveitar o presente, como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesma tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher."

Charles Chaplin

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

"Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu
Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu
Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
Ranhan! Anhan! Hum! Hum!
Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu
Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu
Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu...
Calma!"
.
.
[Zélia Duncan]

sábado, 18 de outubro de 2008

Quando a gente não sabe o que dizer, vem um poeta e resolve o problema.
.
"Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança
Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança"
.
[Renato Russo]

terça-feira, 14 de outubro de 2008

"Bom dia, mulher
Me beija, me abraça, me passa o café
E me deseja "Boa sorte"
Que seja o que Deus quiser
Porque eu tô indo pro trabalho com medo da morte
Nessas horas eu queria ter um carro-forte
Pra poder sair de casa de cabeça erguida
E não ser encontrado por uma bala perdida
Querida, eu sei que você me ama
Mas agora não reclama, eu tenho que ir
Não se esqueça de botar as crianças debaixo da cama na hora de dormir
Fica longe da janela e não abre essa porta, não importa o motivo
Por favor, meu amor, eu não quero encontrar você morta se eu voltar pra casa vivo
Mas se eu não voltar não precisa chorar
Porque levar uma bala perdida hoje em dia é normal
Bem mais comum do que morte natural
Nem dá mais capa de jornal
Tchau! Se eu demorar, não precisa me esperar pra jantar
E pode começar a rezar
Pra variar estamos em guerra
Pra variar...
Quem tá na chuva é pra se molhar
Quem brinca com fogo pode se queimar
Mas eu num quero ser mais um nas estatísticas
Num quero que meu corpo vire atração turística
Ensangüentado, vítima de um crime sem culpado, encaminhado prum exame de balística
Todo dia morrem dois ou três
Eu só quero saber quando vai ser a minha vez
Onde será?
No circo, na praia, no supermercado, na mesa do bar?
Ou na fila do banco?
No trem da central?
No ponto de ônibus?
Parado no sinal?
Ou assistindo TV, na segurança do lar?
Onde será que uma bala perdida vai me achar?
Se eu pudesse escolher eu morreria dormindo sem sentir muita dor
Eu sei que eu ainda sou muito novo pra morrer mas outro dia esse desejo quase se realizou:
Uma bala de fuzil se perdeu num tiroteio e veio parar no meio do meu travesseiro
Só não me acertou em cheio porque eu tava com prisão de ventre, no banheiro
Atualmente eu já me deito esperando o pior
E pra facilitar eu já durmo de paletó
Meu caixão também tá pronto atrás da porta, enrolado com a bandeira do Brasil
E quando eu sonho com o futuro eu acordo inseguro
Escutando mais um tiro de fuzil
Pra variar estamos em guerra
Pra variar...
Eu sou uma bala perdida, uma bala desgraçada
Inofensiva, feito uma criança abandonada
Eu estou sendo injustiçada
Não sou culpada
Se eu tô aqui é porque eu fui disparada
Eu não queria entrar na arma mas o dedo foi mais forte
O dedo me pôs na arma, puxou o gatilho, então porque que eu sou responsabilizada pela morte?
Eu gostaria de ser uma bala de mel
Feita com amor, embrulhada num papel
Mas vocês me fizeram pra acabar com a vida
Desde que eu nasci eu sou uma bala perdida
Eu sempre fui perdida, por natureza
Até num suicídio ou em legítima defesa
A maioria ainda nem percebeu:
Vocês tão muito mais perdidos do que eu.
Pra variar estamos em guerra
Pra variar"
.
.
[Gabriel O Pensador]

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

"Baiana que entra no samba e so fica parada
Nao samba, nao danca, nao bole nem nada
Nao sabe deixar a mocidade louca
Baiana e aquela que entra no samba de qualquer maneira
Que mexe, remexe, da no nas cadeiras
Deixando a moçada com agua na boca
A falsa baiana quando entra no samba
Ninguem se incomoda, ninguem bate palma
Ninguem abre a roda, ninguem grita oba
Salve a Bahia, senhor
Mas a gente gosta quando uma baiana
Samba direitinho, de cima embaixo
Revira os olhinhos dizendo
Eu sou filha de Sao Salvador"
.
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[Geraldo Pereira]

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

"Amigo é feito casa que se faz aos poucos e com paciência pra durar pra sempre Mas é preciso ter muito tijolo e terra preparar reboco, construir tramelas Usar a sapiência de um João-de-barro que constrói com arte a sua residência há que o alicerce seja muito resistente que às chuvas e aos ventos possa então a proteger E há que fincar muito jequitibá e vigas de jatobá e adubar o jardim e plantar muita flor toiceiras de resedás não falte um caramanchão pros tempos idos lembrar que os cabelos brancos vão surgindo Que nem mato na roceira que mal dá pra capinar e há que ver os pés de manacá cheínhos de sabiás sabendo que os rouxinóis vão trazer arrebóis choro de imaginar! pra festa da cumieira não faltem os violões! muito milho ardendo na fogueira e quentão farto em gengibre aquecendo os corações A casa é amizade construída aos poucos e que a gente quer com beira e tribeira Com gelosia feita de matéria rara e altas platibandas, com portão bem largo que é pra se entrar sorrindo nas horas incertas sem fazer alarde, sem causar transtorno Amigo que é amigo quando quer estar presente faz-se quase transparente sem deixar-se perceber Amigo é pra ficar, se chegar, se achegar, se abraçar, se beijar, se louvar, bendizer Amigo a gente acolhe, recolhe e agasalha e oferece lugar pra dormir e comer Amigo que é amigo não puxa tapete oferece pra gente o melhor que tem e o que nem tem quando não tem, finge que tem, faz o que pode e o seu coração reparte que nem pão."
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[Amigo é casa - Capiba / Hermínio Bello De Carvalho]

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

"O discípulo, a seu mestre espiritual:
- Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam.
- Pois viva como as flores! - advertiu o mestre.
-Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.
- Repare nestas flores - continuou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim - Elas nascem no esterco.
Entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.
E o mestre conclui seu pensamento:
- É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento.
Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora. Isso é viver como as flores."
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[Caeur sans amour est un jardin sans fleur] - L. Halévy

terça-feira, 7 de outubro de 2008

"Entregue à própria sorte, nessa selva, onde a lei é a do mais forte, indefeso, carregando todo o peso
O homem não consegue suportar
Não sabe como lidar com a vida que a vida lhe dá
Está de mãos e pés atados, incapacitado de fazer o que é capaz
Jaz morto-vivo no mundo
Reduzido a vagabundo
Sem poder sorrir, sem poder sonhar, sem poder,
Sempre no mesmo lugar
Sem trabalho, sem sustento, sem moral
Rendido, ao relento, feito um animal
"Eu vejo que ele berra, eu vejo que ele sangra
A dor que tem no peito, pois ama e ama...
Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz..."
O destino testa a sua paciência
Instigando o seu instinto de sobrevivência
Vergonha, estresse, medo
Engolindo seco, respirando azedo
O bicho-homem atrás de migalha
O homem-máquina precisando de batalha
Desativado, vivendo de favor
Lutador que não pode jogar a toalha
Tentando manter sua dignidade
À procura de uma oportunidade
Na guerra contra o tempo tá ficando tarde
Inocente cumpre pena num sistema covarde
"Guerreiros são pessoas tão fortes, tão frágeis
Guerreiros são meninos no fundo do peito...
Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz..."
O homem, bicho, domesticado, se vê desesperado se vê sua ração no mercado
Mas não pode pagar
E vê sua razão sem saber o que falar
E a necessidade lhe dizendo pra comer
Custe o que custar: matar, morrer...
"O homem também chora..."
O homem não é fera
Foi jogado fora
Foi violentado em seu direito de viver
Vive sem vontade, morre sem saber
Perde o equilíbrio, cai
Se destrói
E o mundo se distrai
O mundo se desfaz com tanta disputa
E faz que não escuta
A sua voz que diz:
"O que será que eu fiz?
Só tenho cicatriz
Não dá pra ser feliz"
"O homem se humilha se castram seus sonhos
Seu sonho é sua vida e vida é trabalho
E sem o seu trabalho o homem não tem honra
E sem a sua honra, se morre, se mata
Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz..."
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[Gabriel O Pensador]
"um quase silêncio, o dia nublado
reflexo dos meus olhos em vidros embaçados
repentina clareza, vejo de ambos os lados
somos duas pessoas sentindo tudo errado."
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[Martha Medeiros]
"Tudo pela maturidade sofra
E sofremos o diabo: tudo pelo crescimento
Levante a cabeça e siga: avante
pela sanidade: enfrente
Tudo pelo seu currículo: conte
Confesse humildemente: tudo pelo seu prestígio
Chore: faz parte do aprendizado
Cumpra o destino que lhe cabe: erre
Perdoe a si mesmo: tudo pela integridade
Cansa ser gente através da vivência"
.
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[Martha Medeiros]
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Senhor,
Concede-me serenidade, para aceitar as coisas que não posso
modificar;
Coragem para mudar aquelas que posso;
E sabedoria para perceber a diferença.
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terça-feira, 30 de setembro de 2008

"A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...
Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...Não tardo!
Quero rever-te, pátria minha, e para Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra E urina mar.
Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!
Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama".
.
.
[Vinicius de Moraes]

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O meu paraíso escondido
.
Inema
.
minha saudade.
"Quando o segundo sol chegar
Para realinhar as órbitas
Dos planetas
Derrubando
Com assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa...
Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
E eu não pude acreditar
Mas você pode ter certeza
De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão...
Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia
Sem explicação..."
.
.
[Cássia Eller]
Um belo dia eu acordei de um jeito diferente. Ao abrir os olhos, tive a certeza de que aquele era o primeiro dia do resto da minha vida. Até aquele momento, parecia que eu nunca tinha aberto os olhos. Quando enxerguei pela primeira vez, vi que a minha cama era macia, e meu travesseiro tinha o meu cheiro, impregnado de sonhos. Naquela manhã, olhei pro céu e vi que o infinito era o limite de tudo, que as nuvens eram moldadas de acordo com o que pensávamos delas, e que o canto dos passarinhos que acordam cedo eram a melodia mais gostosa de se ouvir. No dia em que enxerguei pela primeira vez, vi que o primeiro copo d´água da manhã abria espaço para purificar a minha alma por inteiro. O pão tinha o melhor gosto do mundo e o café parecia o suco que os ursinhos gummy tomavam pra conseguir realizar qualquer tarefa impossível.

Olhei pra minha avó e comecei a chorar por nunca tê-la visto tão linda, cheia de linhas no rosto que denunciavam um tempo bem vivido. A Sabedoria naquele momento para mim, se chamava Vovó Sônia. Dei-lhe um beijo na testa e "saí pra ver o sol", como dizia o Zeca Baleiro. Tudo, naquele dia, se tornava claro, como nunca. Eu olhava as pessoas de um jeito diferente, sorria pra elas e de alguma forma, cada sorriso que eu recebia de volta me trazia a perspectiva de que o mundo poderia ser melhor se todo mundo começasse a enxergar o que, naquele momento, eu tinha o privilégio de ver.

Cada conversa que eu escutava era como cenas de um cotidiano secreto, como se eu fosse uma espiã de Deus a observar como as pessoas estão vivendo o melhor presente que qualquer um poderia receber: a vida.

Senti a vida pulsando em cada poro do meu corpo, e as lágrimas sem motivo denunciavam que a vida era o único motivo. Passei a lembrar das inúmeras vezes que acordei sem nenhuma alegria, desperdiçando um dia que nunca mais voltaria a mim, simplesmente porque em algum momento achei que o sentido da vida era acordar e viver aquelas horas pensando em horas futuras, que, a cada dia, ficavam mais distantes. Parecia que eu vivia para um futuro que jamais chegava, enquanto o presente já partia, sem ao menos me dar tempo para me despedir.

No dia em que enxerguei pela primeira vez, parei de reclamar de tudo, da falta de tempo, do meu cabelo de manhã, da comida que não estava boa, de tudo que tinha para estudar. Parei de xingar gente lerda no trânsito, parei de discutir relação e parei de querer sempre algo diferente do que eu tinha. Neste dia, eu simplesmente vi que eu podia respirar, andar, podia abrir os braços e me sentir livre.

Quando eu me vi no espelho, pela primeira vez, gostei de tudo que vi. Não quis mudar nada, e me prometi que nenhuma tpm, por mais braba que fosse, iria me fazer sentir a mulher mais horrorosa do mundo. Não quis mais ter o corpo da Juliana Paes e nem o rosto da Ana Paula Arósio. Eu gostei de mim do jeito que eu era.

No dia em que enxerguei, quis encontrar todo mundo que eu amava na mesma hora. A urgência não era por eu estar indo embora daqui a alguns dias, mas era urgência em viver "tudo o que há pra viver" sem perder um minuto, porque eu já havia desperdiçado tantas horas com tantas bobagens, e tudo agora me parecia urgente e intenso. Comecei a olhar diferente pra minha própria história e ter uma profunda gratidão a todas as pessoas que passaram na minha vida. Cada pessoa me deixou um ensinamento, ainda que eu nem mesmo a conhecesse. Passei a agradecer, em silêncio, àqueles que eu não podia estar perto. E talvez, você que esteja lendo essas palavras agora, tenha tido uma importância na minha vida que você sequer imagina.

Às vezes um sorriso consegue mudar uma vida. Uma palavra no momento certo, uma escolha, um confronto, uma conversa. Tudo isso pode parecer pouco, mas às vezes a profundidade se esconde nos menores diâmetros.

O melhor dia da minha existência foi no dia em que percebi a minha existência. E, depois disso, tudo fez sentido. No dia em que enxerguei pela primeira vez, eu pedi a Deus apenas uma coisa: que eu nunca mais fechasse os olhos.

domingo, 28 de setembro de 2008

"Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"
Racismo, preconceito e discriminação em geral;
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral
Racismo é burrice
Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral
Racismo é burrice
Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral
Racismo é burrice
O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
Racismo é burrice
E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você."
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[Gabriel O Pensador]
"A polícia só existe pra manter você na lei, lei do silêncio, lei do mais fraco: ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco.
A programação existe pra manter você na frente, na frente da TV, que é pra te entreter, que é pra você não ver que o programado é você.
Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar.
O cara me pede o diploma, não tenho diploma, não pude estudar.
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá.
Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar.
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar.
Não peço arrego, mas onde que eu chego se eu fico no mesmo lugar?
Brinquedo que o filho me pede, não tenho dinheiro pra dar.
Escola, esmola!
Favela, cadeia!
Sem terra, enterra!
Sem renda, se renda!
Não! Não!!
Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda pra frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro, na mudança do presente a gente molda o futuro!
Até quando você vai ficar levando porrada, até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando você vai levando?"
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[Gabriel O Pensador]