quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Um lago, uma fogueira. Depois do violão meloso, dos contos, da brisa, cansei-me da superficialidade. Deitada sobre a grama úmida e macia relembrava os tempos que se foram, as músicas, os filmes, as aventuras que os ponteiros levaram. Tudo traz saudade e angústia coisas boas que não voltam mais, porem me traz felicidade por saber que aquilo ainda está fresco em minha memória. É o tipo de pensamento que contagia todo indivíduo, é um tipo de sentimento que dura. Percebi que sou do tamanho dos meus sonhos, tenho a força da minha teimosia, mais tudo estava ali o tempo todo e eu não havia enxergado. Um passo sem pensar, o ponteiro não quis conversa, não entendeu a minha vontade de fazer o mundo parar naquele momento. Olhei atrás das montanhas, o sol as encontravam, queimava calmamente as nuvens, que nem pareciam perceber os poucos segundos que lhe restavam, a escuridão chegava devagar. Meu peito sentia toda a pressão que carreguei pela vida. Olhei então para o simples lago, fiz dele meu simples espelho. Enfim pude perceber que ali estava uma mulher livre num universo sem fronteiras. Reflexos do meu rosto desarmônico mostravam toda a carga que havia carregado, meus olhos tentavam me acalmar, tentavam achar em meu corpo um único pedaço que não trazia marcas da minha vida sofrida. Chegou minha hora, percebi que nada tinha mais a fazer. Na luz da lua enxerguei meu eterno descanso. Deitei-me novamente na grama úmida e macia, fechei meus olhos e fiz da luz meu último suspiro.


/Jéssica C. Leal

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